sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
É doce morrer no mar
Tarde de sol, vento sacode o verde das folhas da amendoeira contra um céu de azul forte. Verde. Verde de mar e olhos. Memória corre. Volta no tempo. Uniforme do Pedo II, parada de ônibus. Cabelo preto, bem preto - sem tinta - uns olhos verdes, verdes de mar e aquele jeito de sorrir. Meu Deus, eu não mergulhei naquele mar de olhos, nem lhe dei um beijo para nunca esquecer. Mas o rosto dela - quanta amizade - eu não esqueci.
Mais tarde, também na rua, uns olhos azuis me encantaram - um cabelo comprido, dançando na passeata, nós dois de braços dados, na Uruguaiana, esperando a hora do comício relâmpago. Também não disse nada. E a vida nos distanciou: nunca mais a vi.
Quando o vento sacode o verde, quando lembro do mar, a cabeça roda, a memória brinca de caminhar nas trilhas do passado.
Relembro pescaria nas Itapucas, ali em Icaraí. E o mar muda de cor todos os dias, como o humor da gente. Mar que me rolou nas pedras - quantos arranhões. Mar que me levou para a pescaria, mar de Angra dos Reis, de rara beleza.
Nadei na noite, levei o barco de Iemanjá. Fui sem medo de peixe, de correnteza. Fui, ela me trouxe de volta.
Sempre o mar. Mar que já me viu rir, chorar, amar às últimas consequências. Mar onde afoguei muita mágoa, mar que me deu muito peixe, muito alimento e, principalmente, mar verde, verde mar que me lembra olhares inesquecíveis - verde e belo mar.
Um peixe corta água, gotas rebrilham prateadas, iluminadas pelo sol. Subo na onda, em dia calmo e parece que a alma explode de alegria. Não sei, mas acho que ali, nas ondas, sereias se movimentam nas águas de puro encanto. E, encantado, revivo a sensação maravilhosa de entregar o corpo às águas do mar.
Mar, vida, morte, explosão de poesia em cada braçada. Vale lembrar Cymmi: é doce morrer no mar.
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