quarta-feira, 10 de julho de 2013

Coisas do amor
Se falas de saudade, falo de amor.
Sei lá, queria mesmo era derramar este velho baú encravado no peito, de recordações repleto, de pranto, alegria, grito.
Falo de amor porque fui deixando a saudade guardada, para que ela não transborde pelos olhos: saudade de amores perdidos, saudade de gente querida, saudade do que fui - não sou mais.
Então, falo de amor. Amor que se estende como teia pelas vias da internet, amor por esse contato fugidio que se faz nas postagens, amor pela atividade que ainda posso desenvolver.
Amor. Amor que me faz viver melhor quando penso que gosto dos bichos que tenho, da estrada em que trafego, do abraço carinhoso dos filhos, dos parentes, dos amigos, das amigas. Certo, grande parte desse carinho é cibernético, mas existe e transcende ao simples viver.
Amor pelas mulheres que ficaram, amor pelas mulheres que existem - São Vinícius me ajude - amor pela mulher e por tudo que ela representa na vida gente: lágrima, tristeza, alegria, explosão, filhos, companhia.
Eterno enquanto dure? Sim, poeta, é assim. Então não posso negar essa amor vivido, de tantos anos, de dormir junto, adoecer e melhorar, esse amor que é companhia e convivência, que é paixão e compreensão, que é dúvida e certeza, que é escovas de dente juntos, que é céu e mar, entendimento e até discussão. Mas é amor que se revela em pequenos detalhes do café da manhã, o remédio cuidado e, por fim, o abraço que ainda é o canto do amor feito vida, vida poeta - você diz - repartido em cama e pão. É repartir angústias, é estender a mão no consolo da noite, quando a dor da velhice é inevitável.
Amor. Continuar sorrindo, acreditando na vida quando nossos cabelos brancos não disfarçam nossa idade.
Amor que cobra presença, presença que é a essência desse sentimento que se estende ano a ano, enfrentando tempestade e bonança.
Amor, porque sem amor a vida não existe e nós conseguimos uma vida, uma vida juntos, uma vida vivida com muito amor. E mais não digo.

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