quinta-feira, 18 de julho de 2013

Lamento

Se a Lua, no céu, às 17 horas, fala de luar e poesia, das feiticeiras amigas que voam nas noites claras, a tristeza me fala que a água corre no peito, apesar dos olhos secos, olhos que querem ver a beleza das trilhas do outro lado da vida. E, do outro lado, num caminho de luz , posso imaginar Dagoberto indo para o sítio em Maricá, para ver seus bichos, suas plantas, a casa.
E aí Tião?
Primo, não tem mais jeito. Você, menino valente do sorriso franco, brigou sério com a doença. Briga sem quartel, briga conduzida pela esperança de voltar a ver o verde do campo, as frutas maduras nas árvores que você plantou.
Não deu mais. Jorge Dantas disse que nós três - depois que o Pai foi embora - estávamos na linha de frente. Ele foi logo, cerca de um mês depois. Agora, foi você. Vou ficando enquanto Deus quiser.  Deixei, por muito tempo, sua foto comigo e Vandinha ali no Face. Três primos, festa do meu aniversário no ano passado.
E brincamos em Jacarepaguá, no quintal lá de casa, fui com você conhecer o Arpador - eu, menino do mato, ali naquele paraíso - saímos na noite para namorar as meninas em Pedro do Rio.
Você, minha proteção nos corredores do Pedro II.
E agora? Já não tenho sócio para o doce de laranja, nem parceiro para transportar bezerros entre a Bicuíba e Maricá.
E a grande madeira? Quase acertou seu pé.
As lembranças - boas lembranças - são muitas.
Difícil não chorar. As lágrimas correm, mas prefiro lembrar de Luciana, dizendo que cantou para você e você dormiu.
Dorme em paz, meu amigo. Um dia a gente se encontra. Fica meu abraço nesse lamento sem fim.

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