Guerra e trégua
Informações preocupantes me tiram o sono. O futuro, como será o futuro?
A ala jovem - Solange Marreiro e Bruno Freitas - não se conforma com meu pedido de trégua e, civilizadamente, coloca seus argumentos em defesa dos manifestantes.
Certo. Que informações me incomodam? Primeiro, a informação de que o PT estaria armando um golpe de estado, padrão Venezuela e o caminho estaria traçado na página do partido. Fui ver. Realmente, o PT está com documento registrado em cartório, formando listas de assinaturas, com o objetivo de propor um projeto de lei, de iniciativa popular, no sentido de "aperfeiçoar a democracia brasileira, alterando o sistema político-eleitoral". A proposta inclui financiamento público de campanha, voto em lista pre-ordenada por partidos políticos, aumento compulsório da participação feminina e convocação de uma Assembléia Constituinte sobre reforma política. Slogan: "acabe com a força do poder econômico nas eleições e aumente a força do seu voto".
Há projetos de cartazes e cartilhas por estado. Coisa de profissional.
Analistas indicam que, rejeitado esse projeto, apoiado no clamor das ruas, o PT partiria para o golpe. A conferir.
Segundo, a informação de que militares estariam se mobilizando para enfrentar a estratégia do PT. Fui conferir o site do Clube Militar. Há diversos artigos, publicados na mídia, sempre no sentido de condenar a "baderna". O governador do RJ não é poupado e há críticas ao governo federal, porém nada assinado por militares.
Então vamos ver se consigo enxergar alguma coisa: clamor popular. A polícia do principal aliado do PT colaborando com o caos. Um morto, estado de sítio ... Será esse o caminho?
Deixo essa trilha. Que tal fogo amigo? Há um cisão pública no partido. será que o presidente do PT quer o posto de Dilma?
A movimentação do PT pode ser porta aberta para uma reação à direita, com base no combate à corrupção e à baderna. Seria triste. A quebra institucional para um ou outro lado, a meu ver, não interessa ao País.
Administrativamente, os dados que se tem são terríveis. Investimentos dirigidos para obras faraônicas, todas deixadas para prazos emergenciais, como forma de ampliar despesas de maneira desmedida. Entra aí a grande colaboração da iniciativa privada, que se beneficia dos esquemas e serve de duto para transferir recursos da erário público para o bolso dos políticos.
Quando se fala em ensino, saúde, segurança - os investimentos são nulos. Agentes do estado - extensão rural, agentes de polícia - padecem com a falta de combustível para seus veículos. Quando as ambulâncias abandonadas são apontadas como verdadeiro vandalismo, tenho que concordar.
E, por fim, os conflitos de rua. O que incomoda é a radicalização, o quebra-quebra. Manifestação pacífica tem até batedor para abrir caminho. Não tira o sono dos "governantes". Mas se é a própria polícia que está radicalizando, a quem interessa o movimento?
Gente, a contradição é séria. Polícia violenta, para mim, é pleonasmo. E polícia bater em imprensa - tive meu batismo de fogo - também não é novidade.
Estamos mudando o País - dizem os manifestantes. Ou estão fazendo o exato jogo do PT?
O poder, o poder econômico, que já financiou repressão pesada - Guerra Suja está aí para quem quiser detalhes - não vai deixar barato.
O que me incomoda é essa coisa sem cor, sem bandeira, sem proposta. Tem cheiro de manipulação. Reforma política pode significar golpe. Será? Com a palavra, a ala jovem. É preciso investigar.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
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